Victoria's Secret Fashion Show 2026: representação ou representatividade?
No dia 18 de outubro de 2026, o Victoria's Secret Fashion Show voltou a movimentar as redes sociais. O tradicional desfile de lingerie aconteceu em Los Angeles, reunindo supermodelos, apresentações musicais, asas monumentais e toda a produção que transformou o evento em um fenômeno mundial.
Entre os nomes que cruzaram a passarela estavam Adriana Lima, Gigi Hadid, Bella Hadid, Ashley Graham, Paloma Elsesser e Precious Lee. Mas, em meio ao glamour, uma questão merece atenção: a presença de modelos plus size significa que a indústria da moda está realmente se tornando inclusiva?
Para responder, precisamos falar sobre duas palavras que parecem sinônimas, mas que podem representar coisas bastante diferentes: representação e representatividade.
Quando as modelos plus size chegaram ao Victoria's Secret Fashion Show?
Durante décadas, o desfile da Victoria's Secret ajudou a consolidar um padrão de beleza bastante restrito. As famosas Angels eram associadas a corpos extremamente magros, altos e próximos de um ideal estético que excluía grande parte das mulheres. Após o desfile de 2018, o evento passou por um longo intervalo. Seu retorno ao formato tradicional de passarela aconteceu em 2024, acompanhado de promessas de maior diversidade. Foi nessa edição que Ashley Graham, Paloma Elsesser e outras modelos de corpos maiores fizeram parte do elenco, marcando uma mudança histórica na apresentação da marca.
Em 2025, a diversidade corporal voltou a ganhar espaço, com nomes como Precious Lee, Barbie Ferreira e Devyn Garcia. Essas participações são conquistas importantes. Afinal, durante muito tempo, mulheres gordas foram praticamente excluídas de um dos maiores símbolos de sensualidade da indústria da lingerie.
Mas a presença dessas modelos também trouxe novos questionamentos.
O que mudou no desfile de 2026?

A edição de 2026 contou novamente com modelos conhecidas por desafiar os padrões tradicionais da indústria, incluindo Ashley Graham, Paloma Elsesser, Precious Lee e Devyn Garcia. Entretanto, a diversidade corporal permaneceu limitada. Segundo uma análise publicada pela revista Allure, modelos consideradas curvy ou plus size representaram menos de 10% de um elenco estimado em aproximadamente 80 participantes.
Isso significa que, apesar dos avanços, a grande maioria dos corpos apresentados ainda corresponde a um padrão de magreza. E aqui cabe uma reflexão: se a proposta é celebrar diferentes formas de beleza, por que os corpos maiores continuam sendo uma minoria tão pequena? É importante reconhecer que houve mudanças. Mas também precisamos questionar até onde elas chegam.
Representação e representatividade: qual é a diferença?

Imagine uma mulher gorda assistindo ao Victoria's Secret Fashion Show e, pela primeira vez, encontrando uma modelo com características físicas semelhantes às suas. Essa imagem pode provocar identificação, pertencimento e até transformar a maneira como ela enxerga o próprio corpo. Isso é representação.
Representação é poder se enxergar em espaços nos quais, historicamente, pessoas como você não apareciam.
E isso importa muito. Mas, quando falamos em representatividade de maneira mais ampla, precisamos considerar também a inclusão concreta dessas pessoas. Não basta que uma mulher gorda apareça em uma campanha se outras mulheres com corpos semelhantes continuam encontrando dificuldades para consumir os produtos daquela marca. A representatividade precisa ultrapassar a imagem e alcançar a experiência real das consumidoras.
Se a modelo pode desfilar, a consumidora pode comprar?

Essa é a pergunta que deveria acompanhar toda discussão sobre inclusão na indústria da moda. Quando uma marca coloca uma modelo plus size em sua passarela, ela comunica que aquele corpo também pertence ao universo da sensualidade, da beleza e da lingerie. Mas será que as consumidoras encontram essa mesma inclusão nas lojas?
A Victoria's Secret ampliou sua abordagem em relação à diversidade corporal e oferece diferentes opções de tamanhos. Entretanto, a disponibilidade varia conforme o modelo, a coleção e o mercado.
Além disso, precisamos considerar uma particularidade da indústria: uma modelo classificada como plus size no universo da moda não necessariamente veste os maiores tamanhos utilizados pelas consumidoras plus size. Isso acontece porque os critérios de classificação das modelos não correspondem necessariamente às tabelas de medidas do varejo. Na prática, uma mulher pode se identificar com uma modelo na publicidade e, ainda assim, não encontrar uma peça que sirva em seu corpo. Por isso, a inclusão não pode ser avaliada apenas pela aparência das campanhas. Ela também precisa ser observada na variedade de tamanhos, nas modelagens, na disponibilidade dos produtos e na experiência de compra.
A diversidade pode ser apenas uma estratégia de marketing?
É evidente que marcas utilizam suas campanhas para construir posicionamento, fortalecer sua imagem e conquistar consumidores. Isso faz parte do mercado. O problema aparece quando a comunicação de diversidade é muito maior do que as mudanças efetivamente realizadas.
Uma campanha pode apresentar corpos diferentes, mas isso não significa necessariamente que a empresa desenvolveu produtos capazes de atender a essa diversidade. Também não significa que suas consumidoras encontram a mesma variedade de modelos, cores e estilos em todos os tamanhos.
É por isso que precisamos olhar para além das imagens. A inclusão verdadeira exige investimento, desenvolvimento de produtos, pesquisa de modelagem e, principalmente, disposição para atender consumidoras que durante muito tempo foram ignoradas.
Celebrar os avanços também significa continuar questionando
Nada disso diminui a importância de mulheres como Ashley Graham, Paloma Elsesser e Precious Lee ocuparem a passarela da Victoria's Secret. Pelo contrário. Essas modelos estão conquistando espaços que, durante décadas, foram negados a mulheres com corpos fora dos padrões tradicionais, e cada conquista merece ser celebrada, Mas reconhecer avanços não significa aceitar que eles sejam suficientes. Queremos mais corpos gordos nas passarelas, nas campanhas publicitárias e nas vitrines. Queremos que mulheres de diferentes tamanhos possam ser vistas como sensuais, elegantes e desejáveis. Mas também queremos que essas mulheres encontrem seus tamanhos quando entrarem nas lojas.
E o que a GG.rie tem a ver com essa discussão?
A GG.rie nasceu justamente da percepção de que mulheres plus size merecem muito mais do que serem lembradas ocasionalmente pela indústria da moda. Merecem opções de lingerie que respeitem seus corpos, suas preferências e suas necessidades. Acreditamos que sensualidade não depende de um número na etiqueta e que nenhuma mulher deveria precisar modificar seu corpo para conseguir vestir uma peça de que gosta.
Também entendemos que construir uma moda verdadeiramente inclusiva é um processo contínuo. É preciso ouvir consumidoras, aprimorar modelagens e reconhecer que sempre existem possibilidades de melhoria. Por isso, acompanhamos mudanças como as do Victoria's Secret Fashion Show com entusiasmo, mas também com olhar crítico. Ver mulheres gordas ocupando uma das passarelas mais famosas do mundo é importante. Mas precisamos continuar fazendo perguntas.
Porque aparecer é importante. Mas pertencer precisa ir além da imagem.
E você, migga? Acredita que a indústria da moda está realmente se tornando mais inclusiva ou ainda estamos vendo mudanças que acontecem principalmente nas campanhas publicitárias?
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Fontes e referências
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VICTORIA'S SECRET. Victoria's Secret Fashion Show 2026. Informações oficiais sobre o desfile, participantes e coleção. Disponível em: https://www.victoriassecret.com/us/vs/fashion-show/shop-the-show
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ALLURE. The Victoria's Secret Show Is Still a Parade of Scantily-Clad Conformity. 2026. Disponível em: https://www.allure.com/story/victorias-secret-fashion-show-2026-review
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MARIE CLAIRE. Did Victoria's Secret Really Just Stage the Most Inclusive Fashion Show of the Season? 2025. Disponível em: https://www.marieclaire.com/fashion/victorias-secret-fashion-show-2025-models/
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EXAME. Quem vai desfilar no Victoria's Secret Fashion Show 2026? Confira as modelos confirmadas. 16 out. 2026. Disponível em: https://exame.com/pop/quem-vai-desfilar-no-victorias-secret-fashion-show-2026-confira-as-modelos-confirmadas/

